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18
jul

Como a tecnologia pode ajudar o Brasil a enfrentar a crise.

Nas últimas três décadas o investimento em Educação, Tecnologia e Ciência no Brasil foi pífio se comparado a muitos outros países. Em 2014, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o gasto médio anual brasileiro por estudante era de US$ 3.066 em 2011, e só superava os US$ 625 da Indonésia. Países de renda similar, como a Turquia investiam por aluno US$ 3.240, México US$ 3.286 e Hungria cerca de US$ 5.410. O valor investido pelo Brasil estava e continua distante da média de US$ 9.487 do conjunto de países que compõem a OCDE, organização da qual o Brasil não faz parte. No topo estão nações como Suíça com U$ 16.090 e Estados Unidos US$ 15.345.

Foi através do investimento forte no tripé Educação, Ciência e Tecnologia, que nações como a Alemanha e Japão (pós 2a. Guerra mundial) são hoje consideradas potências econômicas, educacionais e de tecnologia.

Educação + Tecnologia = Sustentabilidade.
Segundo a ONU em 2014, os países que dominavam a tendência de investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) eram Brasil, China e Índia. O crescimento da China é especialmente notável, com investimentos dobrados entre 2002 e 2007, o que representa 1.5% do PIB em 2007. A China também conta com 53% dos pesquisadores do mundo em desenvolvimento. Apenas seis outros países além da China gastam 1% do seu PIB em Pesquisa e Desenvolvimento.

Uma previsão feita pela UE (União Europeia) informa que Índia e China serão líderes em P&D em 2025. Uma força tarefa da União Europeia sugeriu que em duas décadas Índia e China representarão 20% dos investimentos globais em P&D, mais que o dobro de sua cota de 2007, calculada pelo UIS (Unesco Institute for Statistica) , de 9%. Os dados da UIS também projetam crescimento da África Subsaariana, onde o número de pesquisadores entre 2002 e 2007, cresceu 18 pontos percentuais, um forte indicador de capacidade científica. (fonte: http://www.uis.unesco.org/)

Nós estamos realmente preparados no Brasil para enfrentar crises? E estamos preparando a próxima geração de líderes e empresários para a recuperação do mercado após as crises?

Menciono sempre em palestras e aulas, que Governança e Gestão de Riscos não servem para apagar incêndios mas existem para preveni-los e enfrentá-los de forma mais adequada. Se não houver mudança na Governança e Gestão de Riscos do país para os próximos vinte anos, começando pelo investimento em Educação (do fundamental ao Superior), em Ciência e Tecnologia (Pesquisa e Desenvolvimento, Inovação, Bolsas de Estudo e menos impostos para a produção de tecnologia local), creio que continuaremos com um crescimento muito baixo.

Temos uma memória pequena de grandes empresários e produtores de inovação no Brasil, pois temos poucos. Compare com a quantidade de patentes dos Americanos, Europeus e Asiáticos. Como países como China e Índia conseguiram mudar radicalmente suas culturas e tornar-se potencias para os próximos 50 anos, sem mudar sua essência e costumes? Por que temos tanto comodismo, conformismo e tolerância ao errado no Brasil?

Maus hábitos do Brasil.
Creio que a característica cultural mais perceptível do povo brasileiro, e principalmente do governo, é a falta de Planejamento, de Governança e de o costume de ”deixar tudo para a última hora.” Acho que no fundo acreditamos mesmo que Deus é brasileiro, e Ele vai dar um jeitinho para nós no final, como nas novelas.

Em tempos de retração do mercado e de crise econômica as empresas e executivos debatem soluções e estratégias criativas para amenizar esses efeitos e garantir sua existência em um mercado cada vez mais competitivo, porém onde está a mão de obra que não foi educada e preparada para isso? Não adianta sermos tão criativos e inovadores, e não estarmos preparados tecnicamente para canalizar esse talento na escola fundamental e muito menos na média.

Sociedades preparadas trazem em épocas de crise inovações e soluções antes não pensadas e controles mais sustentáveis, pois, o negócio é sobreviver!

Empresas que não conseguem se adaptar às necessidades de mudanças tendem a tornarem-se não competitivas e podem quebrar rapidamente neste período. Como transformar ideias em valor e funcionários em inovadores da sobrevivência?

As empresas precisam fazer investimentos nas áreas de educação, ciência e tecnologia, deixadas de lado pelo Governo, para produzir mais com menos e reforçar seu capital humano que restou para enfrentar a crise. Podemos fazer as mesmas coisas, porém de forma mais barata, mais rápida e mais eficaz.

Bons hábitos para enfrentar a época de crise.
A indústria do entretenimento (vídeo, música e TV) viu durante os últimos anos os números de vendas despencarem devido a larga utilização de softwares de compartilhamento ilegal, como Napster e Shazaam, e a pirataria de seus conteúdos. Atualmente, através da tecnologia e inovação podemos assistir a filmes e seriados a custos reduzidos através do serviço de streaming do Netflix, como também podemos assinar serviços de música como o Apple Music, Spotify e Deezer. Este movimento trouxe novamente a rentabilidade a um mercado que se tornava cada vez menos lucrativo e atrativo para os investidores.

O mesmo ocorreu com a maneira na qual utilizamos e compramos nossos softwares. Empresas como Microsoft e Adobe, que possuem alta parcela de participação no mercado, alteraram suas estratégias de venda de pacote de software para a venda de software como um serviço a fim de se manterem ainda atuais no mercado.

E o pessoal de apps para os smartphones, está em crise? Estão vendendo e eu e você comprando tudo, de cursos de línguas a como tocar um piano, tudo por menos de US$5 e on time!

Crise de água? Sabia que existe nanotecnologia brasileira para dessalinizar a água do mar? Ops, mas é caro! Talvez não fosse se tivéssemos investido 30 anos atrás.
Pouca população capacitada para empregos mais tecnológicos? Ops, isso é caro! Talvez não fosse se tivéssemos investido 20 anos atrás.
Falta de opções para o desempregado sobreviver de casa? Talvez não fosse se tivéssemos um planejamento educacional efetivo e tivéssemos nos preparado mais há 10 anos.
Veja como o Brasil cria lacunas para sua própria competitividade.

E você empresário, faz o que com o capital humano de sua empresa? Vamos esperar 10 anos para ver no que dá?

Estratégias de capacitação contínua, em gestão de riscos, em línguas, em inovação e tecnologia não devem ser adotadas apenas por grandes organizações, mas principalmente por pequenas e médias empresas no Brasil. Isto fortalecerá sua estratégia para a próxima crise que virá.

Com diversas soluções tecnológicas disponíveis no mercado, a visão dos executivos deve acompanhar esse dinamismo. O processo agora passa a ser de Governança da Tecnologia, e dos riscos desta, e não mais de Gestão da Tecnologia. Tudo tem que ser pensado e desenhado para reduzir custos desnecessários, aumentar a eficiência, reduzindo custos e satisfazendo o cliente. Note o sucesso do Alibaba e Amazon.com, empresas que revolucionaram o comércio mundial através da aplicação do conhecimento, tecnologia e inovação.

Recomendo que as empresas neste momento invistam o seu tempo e recursos nas pessoas que estão em seus quadros funcionais, capacitando-as ainda mais para que possamos passar por mais esta crise, e que o governo realmente crie programas longínquos com governança para a educação, ciência e tecnologia. Desta forma, enfrentaremos a próxima crise com armas mais sofisticadas e mais capacidade de inovação e sobrevivência.

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